Espírito Santo

Danilo Bahiense fale de suas expectativas na Ales - Deputado Estadual

Deputado Estadual Danilo Bahiense fale de suas expectativas na Ales

Em entrevista cedida à Assembleia Legislativa (Ales), o Delegado Danilo Bahiense (PSL), eleito Deputado Estadual com os expressivos 36.064 votos, contou um pouco de sua trajetória, experiências e quais suas principais bandeiras que levará à Ales.

Com base eleitoral principalmente na Grande Vitória, Bahiense é nascido em Vila Velha e com 62 anos de idade, exercerá seu primeiro mandato, e promete não decepcionar seus eleitores e o povo capixaba.

Confira na íntegra a entrevista do nobre deputado.


O senhor disputou três eleições anteriores e essa é a primeira que venceu. O que as derrotas lhe ensinaram e qual a sensação de finalmente obter um mandato politico?

As redes sociais fizeram uma diferença muito grande e a gente não pode negar que o 17 também. Eu sou muito conhecido, meu telefone tem 28 mil contatos, mas a gente não podia utilizar isso até 2014, agora podemos e eu mandei mensagem para esse povo todo. Minha campanha foi barata, gastei R$ 36 mil, saiu em média de R$ 1 cada voto, mas o Bolsonaro, não negamos, ajudou.

A gente tem os nossos projetos, mas Deus têm outros para a vida da gente. Em 2010 fui candidato quando estava na Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC) e tive 9.367 votos, não fui eleito. Não tive ajuda nenhuma do partido (PDT) e não fui eleito em outubro, mas em janeiro recebi um desafio: comandar a Superintendência de Polícia do Interior (SPI).

Fiquei na SPI até 2014, depois assumi a Superintendência de Polícia Prisional (SPP) e acabei com as escoltas de presos também porque lá ninguém prendia, só mandavam os policiais em fim de carreira. Eu peguei esses policiais, preparei e comecei a fazer operações com eles para prisão.

Quando chegou agora em 2018 me candidatei de novo e certamente foi a vontade de Deus que eu fosse eleito, tanto é que um camarada que sai de 9.367, vai para 13.806 e agora é o quarto mais votado do Estado com 36.064 não é para qualquer um. Tudo tem seu tempo na vida, Deus tem planos na vida da gente. Ele não escolhe ninguém incapacitado, mas capacita os escolhidos. 


Você atua na Polícia Civil desde 1986, tendo começado como escrivão e posteriormente como delegado, tanto no interior quanto na Região Metropolitana, inclusive, chefiando divisões especializadas. O que você traz dessa longa experiência para a Assembleia?

Eu investiguei o crime organizado aqui e tive muito problema a partir de 2001, quando estava na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), prendi muita gente ruim nesse estado, muita gente foi contratada para me matar, mas Deus estava no comando, então nada aconteceu comigo. A gente tem muitos projetos, temos alguns no papel, outros não, vamos apresentar a partir de fevereiro. Estamos aqui no PSL para dar apoio ao governo do Estado para que tenha governabilidade. Queremos segurança, saúde, educação, tudo de melhor para o estado, estamos aqui para dar esse respaldo e esse apoio ao governo.

Nós vamos também reivindicar muita coisa para a Polícia Civil, para você ter uma ideia, a polícia técnico-científica tem um setor de identificação que é responsável por todas as perícias nos locais de furto, roubo, latrocínio. Tudo que você pensar ela tem que fazer para coletar as impressões digitais. Em 1990 nós tínhamos uma população de 2,6 milhões no estado, tínhamos 316 peritos. Hoje nossa população passou um pouquinho dos 4 milhões e nós tínhamos que ter quase 500, mas temos 80. Não tem como trabalhar desse jeito. A tecnologia não substitui o homem nesse caso, porque você precisa ir lá. Teve um latrocínio, o cidadão pegou num telefone, num copo, precisa coletar as impressões digitais e isso a máquina não substitui o homem.

Temos dificuldade com relação a médicos legistas, o problema mais sério é em virtude do salário. Ele recebe bruto quase R$ 6 mil, o da Secretaria de Saúde mais de R$ 10 mil e em alguns locais eles trabalham juntos. Temos finais de semana que ficamos sem médico no Serviço Médico Legal (SML) de Colatina, Linhares e Cachoeiro. Todos os corpos têm que vir pra Vitória ou ficar na geladeira pra ser liberado na segunda-feira. Isso é um absurdo. A população não aguenta isso.

Tudo isso a gente vai reivindicar e outras coisas, por exemplo, existe um programa chamado Afis Civil (Automated Fingerprint Identification System ou Sistema de Identificação Automatizada de Impressões Digitais). Temos lá 4,5 milhões de padrões digitais de pessoas, mas não temos um programa que pegue, por exemplo, o local do crime, uma impressão aqui, um fragmento de impressão ali e cruze com os 4,5 milhões. Tem que ser na fichinha, isso não tem lógica.


O País e o estado ostentam elevados índices de criminalidade nos mais diversos tipos. A que o senhor atribui a isso: o que está errado na política de segurança pública e o que está correto?

Muita coisa está errada, como a falta de efetivo, não dá para fazer. O policial tem que fazer na medida do que ele tem. Às vezes você entra na delegacia, tem vontade de elucidar todos os crimes, mas não consegue. Eu trabalhei na DHPP onde tinha uma central com aproximadamente oito mil inquéritos. Tinha uma delegada, um escrivão e dois investigadores. Apura como? Se você somente despachar pedindo prazo já leva um mês para mandar os inquéritos para lá e para cá porque já venceu o prazo de novo. Sem efetivo não tem jeito, existem tecnologias como o Afis Civil que você elucidaria muitos crimes, mas o problema é que o criminoso tem praticamente certeza da impunidade.

Agora tem muita coisa que pode ajudar, como a tecnologia, a pessoa certa no local certo, otimizar os recursos, sem isso não tem jeito. Muitas vezes o que a gente vê aqui é que as pessoas são colocadas em local completamente errado. O camarada é vocacionado para trabalhar dentro do gabinete, faz tudo, elucida crime sentado de frente do computador, mas bota ele na rua, onde não tem nenhuma afinidade com aquilo, não tem feeling. Outros não sabem sequer fazer um relatório, se depender de ele ir para o computador não sabe fazer, mas na rua resolve tudo, chega à delegacia, dita o relatório todo para outro, mas não sabe manusear o computador porque não tem habilidade técnica para isso.

Temos que trabalhar a inteligência porque ela é fundamental. Antes da Constituição de 1988 a violência policial era muito grande, hoje você não precisa nem conversar com o cidadão pra meter na cadeia e ele tomar 20, 30 anos. Quantas vezes eu vou interrogar o cidadão e ele vem com um tanto de história? Eu já falo que é melhor ele se reservar no direito de falar em juízo porque eu já tenho a gravação de tudo que ele fez de errado (...).


A Assembleia aprovou a anistia administrativa aos policiais envolvidos na paralisação de fevereiro de 2017. Qual sua opinião sobre o que aconteceu naquele período? Você acha que realmente precisava fechar essa ferida?

Acho que tínhamos que passar essa página, pois fica uma coisa muito complicada. No meu entendimento, lá atrás, na época daquele problema, faltou habilidade de quem estava à frente das negociações. Pelo que a gente acompanhou os militares e familiares queriam conversar. O governador estava hospitalizado, tinha sido submetido a uma cirurgia. Faltou habilidade, se tivessem conversado acredito que não teria chegado aonde chegou.

Fizemos a nossa parte e demos o que podia ser de melhor para a população, que era não deixar os corpos pela rua, fazer perícia, liberar todos para enterrar. Esse foi nosso trabalho naquela situação.


O presidente Jair Bolsonaro flexibilizou a posse de armas esta semana por decreto. Qual sua opinião sobre o tema?

Eu conversei em novembro com o deputado federal Manato e fiz um expediente com essa exposição de motivos, pedi que ele passasse para a equipe de Bolsonaro porque no meu entendimento tem que ter essa anistia novamente (concedida pelo Estatuto do Desarmamento) porque o Estado passará a ter o controle dessas armas, elas continuam na residência das pessoas. Quantas estão por aí? Nós recebemos na SPTC todas as armas apreendidas no Estado, são de 4,5 mil a 6 mil por ano para periciar e muitas foram apreendidas em residências de pessoas de bem, ou seja, a arma estava com ele, era registrada na polícia, mas por desconhecimento ou falta de informação deixou de regularizar. Ele teve a arma apreendida e que responder a um processo por posse de arma. Eu fiz essa sugestão para que o governo federal abrisse isso para o registro, porque ele vai ter um controle grande sobre as armas.


Você acha que se essa atribuição sobre a posse de armas voltasse para a Polícia Civil seria mais efetiva essa fiscalização?

A Polícia Civil tem praticamente uma delegacia em cada cidade. Se você pegar na Grande Vitória são muitas unidades policiais, fica mais perto do cidadão para esse controle efetivo. Quando a gente estava com essa responsabilidade não tivemos grandes problemas. Se o governo federal acha que tem ficar a cargo da Polícia Federal o registro e o porte, pode se fazer um convênio. Por que não para fazer pelo menos para o registro e depois encaminhar tudo para a PF?


Quais os maiores desafios para o Espírito Santo atualmente e como o senhor, eleito deputado, pode ajudar a resolvê-los?

A educação precisa melhorar muito, a saúde e os trabalhos sociais feitos na base. Um dos grandes problemas, hoje, é a falta de estrutura familiar e de temência a Deus, quem não teme a Deus não teme ninguém. A pessoa que não tem estrutura familiar, não tem a quem recorrer. O pai coloca o filho no mundo e acha que só dar comida e roupa é suficiente, mas isso aí qualquer pessoa dá, o negócio é educar seu filho. Quantas vezes eu cheguei em casa meia-noite, uma hora da manhã, cansado depois de uma operação, depois de um dia todo e a minha filha com dois anos dizia: "Papai, vamos bater um papo?". Eu tenho que sentar pra bater um papo, porque se eu não assumir meu filho o tráfico assume.

Nós temos visto trabalhos sociais feitos pelas igrejas, pelas comunidades, onde muitos jovens são recuperados ou sequer entram no mundo do crime pelo esporte, como futebol, judô, caratê, tae-kwon-do, vôlei, basquete... Esses jovens são disciplinados para a vida, não só para competir no esporte. Eles aprendem a ser disciplinados, educados para a vida, para enfrentar os desafios. Tudo isso é muito importante, nós temos que ajudar.


O senhor foi eleito numa coligação concorrente a do governador Renato Casagrande (PSB). Como será sua relação com o Executivo? Vê alguma dificuldade de o governador aprovar matérias com essa nova composição da Assembleia?

Eu acho que não terá nenhuma dificuldade, muito pelo contrário. Estamos aqui para apoiar o governo. Eleição é uma coisa, agora nós temos que dar governabilidade. Aqui não tem inimigo, existe divergência ideológica no momento da campanha. Eu estou num partido, você em outro, eu penso de um jeito e você de outro, mas agora o governador foi eleito, nós deputados fomos eleitos e temos que dar condições a ele para fazer uma boa gestão (...).


O senhor tem interesse em ocupar alguma comissão da Casa ou da Mesa Diretora? Pretende participar de criar CPI ou Comissão Especial?

Para abrir CPI é muito cedo, eu preciso sentar na cadeira, me inteirar da situação, mas é óbvio que tenho interesse na Comissão de Segurança porque é nossa especialidade. Aqui na Assembleia nós temos deputados médicos, que certamente terão interesse na área da saúde e isso é muito normal. Somos aqui hoje dois delegados, um escrivão, um coronel e um capitão, cinco policiais. Todos vamos somar força para fazer um bom trabalho na área da segurança pública, independente de apoiarmos outras áreas, mas na segurança pública, precisamos fazer um bom trabalho porque nós conhecemos. 


O senhor é do partido do presidente Jair Bolsonaro e o governador Renato Casagrande ficou neutro na eleição presidencial. Como você acha que vai ser essa relação entre o Estado e o governo federal?

Eu espero que seja a melhor possível porque o Estado depende do governo federal para verbas. Precisamos ter bons projetos aqui no Estado porque tudo que é disponibilizado pelo governo federal depende de projetos. Então precisamos ter para receber recursos. No caso da Polícia Civil recebemos muitos recursos, equipamentos Precisamos ter esse entrosamento, independentemente de um ser de um partido e de outro, precisamos de governabilidade e de recursos para o Estado para que a gente possa locar e nós estamos aqui para colaborar com o governo.


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