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Educação brasileira: corrigindo nosso déficit educacional - Editorial

Editorial Educação brasileira: corrigindo nosso déficit educacional

O principal recurso de um país não é terra, ouro ou petróleo. São ideias. Ponha gente em um deserto, dê a elas liberdade e logo mais o lugar jorra prosperidade. Isso explica o valor da educação. Ela impulsiona e facilita o brotar dessas ideias. Isso também explica por que o Brasil deveria se preocupar. De todas as misérias do país, uma das mais graves sem dúvida é o déficit educacional.

Em 2017, o Índice de Analfabetismo Funcional revela que 27% dos brasileiros sofrem dessa limitação. Nessas condições, a pessoa pode ter frequentado escola, mas não sabe fazer uso do que aprendeu. Isso é apenas uma fração do problema: 92% da população sofre limitações semelhantes, algumas piores. Para nosso desespero, somente 8% dos brasileiros conseguem ler e se expressar de forma adequada.

Se é verdade que o Brasil é um país "atrasado", nosso déficit educacional explica muito desse "atraso". A regra vale para qualquer lugar. Sem educação adequada, o país recebe pouco benefício de ideias inovadoras. O povo não dispõe de repertório intelectual suficiente para produzir soluções. Sua capacidade criativa é prejudicada por uma formação educacional deficitária. Daí a urgência de pensar soluções ao ensino.

O começo mais adequado é a prioridade dos investimentos na área. A maior deficiência tem sido a pouca atenção dada ao ensino básico. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o governo federal participa com apenas 10% no Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. O restante necessário deveria ser bancado pelos estados e pelos municípios. Mas o orçamento local está fraturado demais para isso.

Enquanto isso, o governo federal realiza seus maiores gastos no ensino superior. Em termos políticos, a preferência é óbvia. Crianças não votam – mas adultos, sim. Dar um diploma a um adulto é uma forma de garantir seu voto, além de sua simpatia política. O problema é que esse investimento não corrige o déficit educacional. Muitos daqueles 27% de analfabetos funcionais são universitários. O diploma superior não redime o ensino desse erro.

Nesse contexto, a maior urgência é a de ampliar os investimentos no ensino básico. É o que sugere a experiência bem sucedida da Coreia do Sul. Os primeiros anos de formação são estratégicos. É na infância que o indivíduo desenvolve sua expressão, seu raciocínio, sua criatividade. Ampliar corretamente o investimento na área, com melhora dos serviços e de acesso, pode corrigir nosso déficit educacional.

Para o ensino superior, a Suécia oferece soluções melhores do que universidades federais. Lá os alunos necessitados recebem voucher, "vale faculdade" que pode ser gasto na instituição particular escolhida pelo aluno. A solução é mais barata. Formar alunos no ensino particular custa menos do que no ensino público. Além disso, resolve as distorções no acesso. Seu maior critério é a necessidade financeira. Pessoas mais ricas podem até entrar em universidades federais brasileiras. Mas jamais receberiam um voucher sueco.

Críticas a essas propostas existem. Há pouca dúvida sobre a necessidade de melhorar a educação básica. Mas a prioridade, afirmam os grupos, deve recair sobre o professor. Essa perspectiva ignora uma sutileza: o interesse corporativo do professor muitas vezes entra em conflito com o do aluno. É o caso, por exemplo, da estabilidade. Ela torna impossível substituir professores improdutivos.

A crítica ao voucher é a suposta forma como torna a educação em um negócio. Educação, diriam os críticos, é nobre demais para ser contada em cifras. A crítica é incoerente. Negociar a educação é uma forma de priorizar o ser humano como o consumidor que é. Conhecer os desejos e as necessidades humanas demanda conhecer suas prioridades de consumo. O interesse do consumidor, portanto, é o interesse da humanidade.

Se quiser resolver seu déficit educacional, o Brasil precisa repensar seus investimentos educacionais. Deve dar mais atenção ao ensino básico. E deve aperfeiçoar o fornecimento de ensino superior. O principal favorecido deve ser o aluno. Ele precisa ser o beneficiado de todo e qualquer esforço. Não poderia ser de outra forma. Será ele que terá o trabalho mais árduo: fazer surgir as soluções de que o país necessita.

- A redação.


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