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Ônibus em Vitória: ninguém vai deixar o carro na garagem - Editorial

Editorial Ônibus em Vitória: ninguém vai deixar o carro na garagem

A propaganda nova-iorquina afirma que uma cidade é tão boa quanto o seu sistema público de transporte. Para a capital capixaba, a mensagem é quase uma reprimenda. Em Vitória, a deterioração do transporte público alerta sobre os perigos de negligenciar sua necessidade constante de melhora. E o pior: com a linha verde, ele revela como pode ser perigoso abordar o problema de forma leviana.

Como a segurança, o transporte público em Vitória chegou a um extremo do declínio. Sobram críticas à demora nos pontos de ônibus. Horários servem apenas para indicar que o ônibus está atrasado. Os preços das passagens têm sido abusivos. Seu valor alto não corresponde à qualidade sofrível dos serviços. As viagens são estressantes. Elas têm sido longas, cansativas e superlotadas. A insegurança alcançou situação de pânico. Passageiros são cada vez mais vítimas de assaltos.

Negligência é um dos principais problemas desse contexto. Apesar de fundamental, o transporte público ocupa lugar de irrelevância na agenda política. A promessa de melhoras nele garantiu a vitória de um candidato a prefeito. Naquela ocasião, houve até mesmo o plano de instalar um metrô de superfície. Assumindo o mandato, as prioridades foram mudadas. A maior parte da atenção foi dada a uma agenda ambientalista que mais parecia finlandesa: limpar as águas da baía. Quanto ao transporte público, ele ganhou somente alguns metros de faixa exclusiva para ônibus.

Ironicamente, a negligência pode ser preferível a tentativas levianas. É o que se conclui da linha verde exclusiva para ônibus. O resultado esperado era melhora na rapidez e na regularidade do transporte público. De fato, alguns testes da Prefeitura indicaram aperfeiçoamento. Esse resultado no entanto contrasta com o teste feito por reportagens, segundo os quais a linha não gera melhora alguma. Por outro lado, motoristas afirmam que a linha piorou a circulação de carros particulares – que também precisam ser respeitados como mobilidade urbana. Se ainda há discussão sobre a eficácia da linha verde, ao menos parece haver consenso de que ela é insuficiente.

Além de negligência e de tentativas malfadadas, vários outros fatores se acumulam para deteriorar a mobilidade urbana. O número de semáforos é volumoso e crescente. A avenida Leitão da Silva está em eterna reforma. O projeto do "mergulhão" para desafogar a entrada da Terceira Ponte foi impedido e esquecido. Para fugir do transporte público, a população apela cada vez mais a carros particulares, abarrotando a ruas e piorando a situação.

Os esforços atuais buscam convencer a população a usar meios de transporte público. O plano parece fazer sentido. É o que se pode inferir dos números informados pelo do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Setpes). Com base neles, é possível dizer que, se ao menos 5% desses motoristas passasse a usar o transporte público, a superlotação das ruas seria resolvida. Daí o incentivo às ciclovias e a criação da linha verde.

A meta parece pequena, mas é sobremaneira desafiadora. Seria preciso convencer esses motoristas a usar o transporte público. Se depender de iniciativas falhas como a linha verde, essa meta será impossível. Enquanto não houver ônibus seguros, confortáveis, eficientes e a preços justos, com soluções consistentes à mobilidade urbana, ninguém vai deixar o carro na garagem.

A redação.


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