Viana

Rio Jucu tem 90 vezes mais poluição que o permitido - Diz ambientalista

Diz ambientalista Rio Jucu tem 90 vezes mais poluição que o permitido

Rio Jucu, que abastece 25% do Espírito Santo, tem 90 vezes mais poluição que o permitido, afirmou o ambientalista Eduardo Pignaton, organizador da Descida Ecológica do Rio Jucu, que aconteceu na manhã deste domingo (25). A medição foi feita durante o evento, que teve cerca de 600 participantes. No caminho, eles encontraram muito lixo, água turva e até uma vaca atolada.

A descida começou na localidade de Jucuruaba, em Viana. Os participantes levaram barcos, caiaques, botes, boias, pranchas. Para não dar fome, teve gente que levou até churrasqueira. O importante era não deixar nenhuma sujeira cair no rio.

A reportagem acompanhou a descida. Logo no início, o que chamou a atenção foi a cor da água, barrenta, situação que foi explicada pelo ambientalista.

"Quando o rio está vermelho, como está agora, indica que tem muitos sedimentos, Houve uma chuva agressiva, cavou as estradas vicinais e trouxe lama para dentro do rio. Isso provoca assoreamento e essa turbidez, quando é muito alta, a Cesan não consegue nem tratar para a gente beber. Todas as estradas vicinais têm que ter as chamadas caixas secas, que ficam entre o barranco e a estrada, para quando chover, a água infiltrar no solo ao invés de correr para o rio", explicou Pignaton.

O evento também contou com a medição da poluição do rio. "Como choveu bastante, o rio foi lavado. Até semana passada ele estava com 160.000 coliformes fecais por 100 ml, caiu para 92.000, mas o tolerável é mil, então nós estamos com 90 vezes mais poluição dentro do rio do que o permitido para tomar banho. Por isso a gente aconselha que ninguém entre no rio", falou o ambientalista.

No caminho, os participantes encontraram uma vaca atolada na beira do rio. Eles tentaram tirar o animal, mas não conseguiram. Um trator foi usado para o resgate.

Segundo o ambientalista, essa situação não deveria acontecer porque os animais não deveriam chegar tão perto do rio.

"Os donos desses animais devem deixar que eles vão só até uma distância de 30 metros do rio, eles nunca devem chegar na margem do rio. Eles podem cair no rio, fazer as necessidades deles lá e também ajudam no processo de assoreamento", disse.

Morador da Barra do Jucu e pescador há mais de 30 anos, Marcelo Farich acompanha as mudanças sofridas pelo rio.

"Eu navego no Rio Jucu praticamente desde que nasci, porque eu nasci mesmo na beira do rio. Cada ano que passa, vejo ele mais assoreado, com mais lixo. Na parte de cima do rio até que não tem tanto lixo, é mais lá na beirada, onde tem mais moradores", contou.

Ele disse que pescar no Rio Jucu está cada vez mais difícil. "Fico preocupado como pescador, que é a minha profissão. Vejo que daqui 10, 15 anos, a profissão de pescador vai acabar por causa desse excesso de poluição. Então o sustento da família vai embora. Hoje eu não pesco mais no rio, só no mar. Teve uma época que, por causa dessa poluição, morreram 5 toneladas de peixes, então praticamente acabou", disse.

A descida terminou na Foz do Rio Jucu, em Vila Velha. O evento não acontecia há dois anos, por causa da quantidade de poluição e também volume de água no rio, que não era suficiente para navegação.

Outro lado
A Prefeitura de Vila Velha foi procurada e informou que realiza campanhas de conscientização com as comunidades do entorno do Jucu para incentivar a preservação. Outras ações para trabalhar a conscientização da sociedade estão sendo planejadas. A quantidade de lixo e do esgoto e agrotóxicos que ainda são despejados de forma irregular, contribui para a poluição.

A reportagem também procurou a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) sobre a questão do esgoto, que informou que nos últimos 15 anos a cobertura com serviços de coleta e tratamento do esgoto na bacia do Rio Jucu saltou de cerca de 20% para 52%, e que tem feito investimentos em programas ambientais.

Uma Parceria Público-Privada também está sendo estudada para universalizar o esgotamento sanitário em Cariacica, com previsão de edital em 2018.


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