Afonso Cláudio

Haroldo avalia gestão e fala sobre projetos da educação - Entrevista

Entrevista Haroldo avalia gestão e fala sobre projetos da educação

   

Vemos um compromisso de campanha da atual gestão em fazer da educação a prioridade número um do governo. Agora que a gestão está chegando ao fim, como o senhor avalia essa prioridade?

A prioridade da educação não é só da minha secretaria, mas, é a prioridade do governo do estado e também um dos maiores desafios no nosso país: construir uma escola pública de alta qualidade, desde a primeira infância até a juventude. E a educação não é um mero atendimento, um serviço. É uma relação, uma construção que vem da base, onde professores e alunos estão em contato diário na formação de valores e conhecimentos desses novos cidadãos. Por isso, esse é um dos maiores desafios para nosso estado e nosso país. Hoje nosso governo possui três programas que propõem uma revolução na maneira de ensinar e aprender. E esses programas foram idealizados em 2014, no nosso planejamento de governo, quando iniciamos a gestão. É claro que todas as áreas são importantes, mas a educação é a nossa prioridade. No primeiro momento nós focamos no ensino médio, com o objetivo de melhorar o nível de aprendizagem, diminuir o número de jovens que abandonam os estudos e como consequência disso diminuir o número de reprovações. 
E a principal ferramenta que estamos usando para atingir esse objetivo é a Escola Viva. Esse novo modelo de escola foi implementado em 2015, com um grande debate com a sociedade e a assembleia legislativa.

E como começou a implementação do Escola Viva?

Por se tratar de um novo modelo, a princípio esse causou um estranhamento nos estudantes e nas famílias, e também nos deputados que tinham que votar o projeto de lei na assembleia. Foi um momento muito delicado porque não tínhamos nenhuma escola implantada e funcionando, somente uma ideia no papel. Mas tivemos mais de 100 dias de debates em conjunto e ao final tivemos o projeto aprovado pela assembleia e aceito pelos estudantes e suas famílias. É muito importante ressaltar que somente com o apoio da assembleia, e com os projetos de lei aprovados, podemos garantir a continuidade dos mesmos. Afinal, não adianta criar algo novo e revolucionário e depois correr o risco disso ser descontinuado numa próxima gestão. Os estudantes precisam entrar na escola e seguir uma
 sequencia bem estruturada e continuada, para que o aprendizado ocorra adequadamente. E para dar o suporte legal necessário, e garantir a continuidade do projeto, hoje nós temos quatro leis aprovadas sobre a Escola Viva.

Explique o conceito do projeto.

Educação em tempo integral que busca desenvolver no jovem competências cognitivas e sócio-emocionais. Porque hoje em dia não basta aprender ler, escrever e desenvolver o raciocínio lógico. É preciso aprender a lidar com as frustações, a lidar com o outros, trabalhar em equipe e principalmente, nos dias de hoje, aprender a ter foco.
E por estas capacidades que o Escola Viva se propõe desenvolver, vemos os alunos mais envolvidos com a escola e com os professores. Eles percebem que o está sendo oferecido pra eles é muito mais que uma simples aula, são aprendizagens para a vida cotidiana no presente e no futuro.
E para que tudo isso funcione é preciso ser em tempo integral, porque não é possível desenvolver todas essas competências no horário normal, é preciso o tempo integral. É o que se chama de Pedagia da Presença, onde aluno e professor desenvolvem uma relação mais profunda e isso melhora os níveis de aprendizagem.

Fale sobre os números do Escola Viva.

Começamos com uma escola e hoje já temos 32 escolas funcionando nesse modelo. Num total temos uma oferta de 20.000 vagas. E segundo nosso planejamento, seremos 300 escolas até 2030. Nosso intuito é que todos os jovens sejam contemplados com esse tipo de ensino, porque essa é a escola que irá, em breve, predominar no Brasil. Nos países desenvolvidos as escolas já funcionam dessa maneira, o jovem chega pela manhã e passa o dia inteiro com o educador, aprendendo

Quais são os investimentos da Secretaria para as escolas que ainda não são de tempo integral?

Da mesma maneira que investimos no projeto Escola Viva, investimos na escola de tempo parcial. Aliás, nós investimos mais nas escolas de tempo parcial porque elas são em maior quantidade, hoje nós temos 240 escolas de tempo parcial. Investimos da mesma maneira em ambas as escolas. Internet, mobiliário, literatura, restaurante, ou seja, todos os investimentos que fazemos em uma, fazemos na outra.

Na escola de ensino médio de tempo parcial ou regular, nossa metodologia é diferente da aplicada no Escola Viva, ela se chama Jovem de Futuro. Que consiste em trabalhar a equipe gestora da escola e os alunos de uma maneira que os resultados da instituição melhorem. E com os mesmos objetivos do Escola Viva: que os alunos abandonem menos e aprendam mais. Além disso, tem uma metodologia específica de recuperação de conteúdo, para que o índice de aprovação no final do ano letivo aumente e reduza o de reprovação.
Com esses investimentos entre 2016 e 2017 verificamos melhoras no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da nossa rede. Percebemos melhorias significativas na aprendizagem de matemática.

Mas para que tudo isso funcione é preciso desenvolver parcerias com os municípios, com programas organizados e estruturados, pois são eles que cuidam da educação dos 06 meses até os 14 anos de idade. Com isso desenvolvemos o Pacto Pela Aprendizagem do Espírito Santo. Que é a consolidação dessa parceria entre municípios e estado, regulamentada através de leis para que a continuidade seja garantida.

Para o Escola Viva nós buscamos inspiração no estado do Pernambuco, e agora para desenvolvermos essa parceria necessária com os municípios para a educação do ensino infantil e fundamental, buscamos aprender com o estado do Ceará, que possui 77 escolas num ranking de 100 melhores escolas de ensino fundamental do país.

Qual é o grande objetivo a ser alcançado pela Secretaria de Educação para fechar a gestão em 2018?

Consolidar as metas e objetivos implantados. No Escola Viva queríamos implantar 30 escolas, já implantamos 32. Consolidar também o Jovem de Futuro, para melhorarmos os resultados de abandono e reprovação. E no Pacto pela Aprendizagem, já temos 56 municípios em parceria com o estado, mas ainda faltam 22 para aderir. Enfim, mesmo com a nossa gestão finalizando em 2018, precisamos planejar o futuro e deixar um planejamento pronto para o ano de 2019. Pois quem chegar ao governo deve encontrar ao menos o ano seguinte já organizado, e isso é a responsabilidade de quem está na atual gestão, para que não haja interrupção.




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