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A queda do chapéu - Artigo

Artigo A queda do chapéu

A Revolução Francesa expressa politicamente a consciência que o espírito adquire da liberdade absoluta. Tanto é, que em 1789 o espírito teria pela primeira vez adquirido plenamente essa consciência e a liberdade se tornado seu princípio fundamental. Porém, a confusão levada a cabo pelos jacobinos entre a vontade geral e a vontade de todos os singulares, teria permitido a afirmação da vontade geral da liberdade absoluta e criado o Terror, uma vez que na apoteose napoleônica as diretrizes do movimento revolucionário, foram tomadas por um imperialismo arbitrário, dominador e egoísta, sem preocupação com as necessidades do povo, a que Napoleão Bonaparte não se dedicava, mas sim a trocar o espírito universal por canhões e fuzis, em pretensões alexandrinas desmesuradas. 
 
O pequeno general assemelhava-se ao gigante que o pintor Jacques-Louis David retratou cruzando os Alpes, montado em um imponente cavalo branco e apontando para o futuro. Mas no lugar da espada embainhada, o que realmente estava acontecendo era o retorno ao antigo regime, o novo não era cancelado, todavia transfigurado, carregando ainda consigo uma força capaz de colocar por terra o antigo regime monárquico francês. Confrontado com a reacionária dominação de Friedrich Wilhelm III, Napoleão Bonaparte trouxe junto o ar fresco da universalização dos direitos de liberdade, com sua codificação civil, nada mais que a submissão de seus súditos as suas vontades de grandeza e autoritarismo.

Deste modo nesse confronto a liberdade, ainda que moderada e controlada, e representada por Napoleão levava alguma vantagem, quando derrotou a Prússia. Porém, bem disse Hegel, pouco depois de vê-lo nas ruas de Jena, quando escreveu a seu amigo o impacto daquela visão de uma suposta ascensão de um regime estatal melhor: "Vi o imperador – este espírito do mundo – cavalgar nos arredores da cidade em missão de reconhecimento. É realmente uma sensação maravilhosa ver tal indivíduo, o qual, concentrado aqui em um único ponto, montado sobre um cavalo, se estende sobre o mundo e o comanda. Quanto ao destino dos prussianos, na verdade nada de melhor poderia ser prognosticado." (HEGEL, 1984, p.114.) Ou seja, para os prussianos que viviam um regime opressor, o prognóstico foi realmente o melhor, mas durou poucos anos, já que após a derrota de Napoleão na Rússia, a restauração teve lugar na Prússia e a semente da mudança havia sido, entretanto, lançada, porém logo contida. 
Para muitos de seus contemporâneos Napoleão não havia sido patriótico e sua simpatia manifesta para com os invasores o tornava uma pessoa pouco confiável e com o passar dos anos tomou distância da revolução e em seus lineamentos para uma filosofia autocrática. 
E, assim Bonaparte sob seu comando com os derrotados e a França marchou estrondosamente sobre a Europa, porém o conflito bélico mobilizou massas humanas cada vez maiores, tornando a política e a guerra como sendo assunto do povo. E, dada sua intensidade – e agora sua magnitude – aação bélica passou a perfilar paixões, sentimentos e vontades coletivas. Não é pois qualquer ação política que pode ser comparada à guerra, mas apenas a ação política forte, a política absoluta. A guerra é, assim, não apenas uma continuação da política, mas uma intensificação extraordinária desta.Porém o ego exacerbado de Napoleão o fez ser derrotado em Waterloo, na atual Bélgica num confronto militar ocorrido em 18 de junho de 1815, no qual 72.000 homens sob suas ordens foram massacrados pela força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e o exército prussiano 118.000 soldados. Este confronto marcou o fim dos Cem Dias e foi à última batalha de Bonaparte; e com a sua derrota terminou o governo do Imperador cujo chapéu que lhe marcava a caricatura de impetuoso e líder de nações, caiu e nunca mais se levantou, sendo o mesmo exilado e falecido no ostracismo, podendo só então o espírito revolucionário original francês, voltar a ter voz ativa, que é a Liberdade, Igualdade e Fraternidade.




Rogério Wanderley Guasti É advogado, Mestre em Direito e Economia; Doutorado em Direito Constitucional; PhD em Matemática e Física Teórica; MBA em Direito Tributário, LL.M em Direito Corporativo, pós-graduado em Compliance Especialista credenciado em investigação particular, segurança privada, contrainteligência empresarial, e perícia criminal e forense.


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