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A medicina como instrumento de gestão - Dr. Emílio Mameri

Dr. Emílio Mameri A medicina como instrumento de gestão

   

Capixabão: O senhor tem vasta experiência de gestão na área médica. Como o senhor vê a medicina como instrumento de transformação?

Dr. Emílio Mameri Neto: A medicina de uma forma geral é muito importante, porque ninguém consegue viver e produzir sem saúde. Infelizmente a gente percebe que a Saúde Pública brasileira precisa melhorar muito. O contingente de pessoas no nosso País que são atendidos pelo SUS é muito grande, até porque numa época de crise como essa, muitas pessoas abandonam os planos de saúde e recorrem ao SUS. Infelizmente ainda não estamos preparados para dar um atendimento de qualidade à população brasileira que tanto merece e tanto precisa.

Capixabão: E no Espírito Santo como o senhor acha que está a Saúde Pública?

Dr. Emílio Mameri Neto: Como no Brasil, também passa por dificuldades, porque a gente observa os nossos hospitais públicos cheios, com seus corredores lotados de pacientes. Os médicos e para-médicos fazendo o máximo possível para atender toda essa demanda, mas as condições são ingratas e muitas pessoas, infelizmente, não tem acesso à uma Saúde Pública de qualidade.

Capixabão: E isso tem solução?


Dr.Emílio Mameri Neto: Solução tem. Existe solução pra tudo. Mas o grande problema é que a Saúde no Brasil e no Espírito Santo passa por maior investimento. Os procedimentos são remunerados por uma tabela do SUS, que há muito tempo não é corrigida, fazendo com que a maior parte desses procedimentos se tornassem deficitários. Evidentemente que se esses hospitais filantrópicos, hospitais públicos, que também recebem baseados nesta tabela, é lógico que vão se tornar deficitários. Então, se nós quisermos realmente melhorar a Saúde Público nós precisamos inicialmente melhorar o investimento na Saúde. Claro que sabemos das dificuldades enfrentadas pelo nosso País do ponto de vista ético e moral, que também passam pela Saúde. Infelizmente existem desvios e má gestão na área da Saúde. Mas, querer colocar todo o problema da Saúde na conta da má gestão e desvios não condiz com a realidade, faltam investimentos e o grande culpado é o governo federal que diminuiu substancialmente os valores transferidos para os estados e jogou toda a responsabilidade em cima dos estados e municípios, que não tem condições de arcar com todo esse custo, já que a Saúde é uma coisa cara.

Capixabão: O senhor, além de médico, é vice Prefeito de Rio Novo do Sul. Medicina e política combinam?

Dr.Emílio Mameri Neto: Olha, todo ser é um ente político. Eu, desde garoto sempre gostei de política. Fiz política na universidade, fiz política em diversas sociedades médicas. Mas nunca havia participado de um cargo eletivo porque sempre priorizei a Medicina, a família principalmente. O fato de trabalhar na Universidade Federal do Espírito Santo e em outros hospitais fazia com que eu não participasse ativamente de atividades políticas, mas indiretamente sempre participei. Recentemente, quando me aposentei da Universidade, não trabalho mais em Furnas, enfim, apareceu um espaço onde pretendo contribuir com a gestão pública. Como sou natural de Rio Novo do Sul, onde sempre houve uma expectativa muito grande em eu ser, inclusive, prefeito do Município, eu sempre declinei em função das minhas atividades profissionais. Afinal, são atividades que não combinam. Ou você é um bom médico, um bom professor, ou um bom político. As três coisas ao mesmo tempo fica difícil. Na minha situação atual, estou diminuindo a minha atividade médica e me sinto bem forte e motivado para me colocar à disposição da gestão pública. E, por essa razão, não podendo me candidatar a Prefeito de Rio Novo do Sul por um problema particular, porque minha esposa é médica e trabalha aqui em Vitória, eu não poderia ficar o tempo todo à serviço da população de Rio Novo do Sul, nós fizemos uma composição, apoiamos um candidato jovem. Um rapaz de 30 anos, empresário, administrador com formação na área de economia, inclusive, advogado e também gosta da política. Ele precisava de um apoio e , junto com outros amigos de Rio Novo do Sul, o lançamos prefeito e eu assumi a vice, sempre com o intuito de contribuir para uma renovação que tanto estava precisando o Município. Esse foi o objetivo, estamos trabalhando e os resultados já começaram a aparecer.

A área da Saúde em Rio Novo do Sul está bem ?

Dr. Emílio Mameri Neto: Não. Não anda bem. Esse foi um dos principais motivos pelos quais colocamos nossos nomes à disposição com o intuito de tentar melhorar. Nós não temos um hospital, porque foi uma política governamental de acabar com os pequenos hospitais do interior, porque achavam que esses hospitais eram deficitários. Esses municípios do interior dispõe de um Pronto-Atendimento e quando o paciente precisa de uma internação tem que ser levado para um hospital de referência, no nosso caso é Cachoeiro de Itapemirim. Em nosso PA, a Prefeitura fez um convênio com o Hospital Evangélico de Cachoeiro, que gerenciava o Pronto-Atendimento. Mas, por uma série de motivos, esse convênio estava deixando a desejar. A partir de agora, terminando o prazo do convênio, a Prefeitura vai reassumir o gerenciamento do PA e a nossa expectativa é que teremos um ganho de qualidade. Com um atendimento diferenciado, feito por profissionais com maior ligação com o Município, médicos que já trabalham no Programa da Saúde da Família que hoje funciona muito bem. O passo seguinte será a reabertura do hospital, para que possamos fazer diversos procedimentos médicos, que, inclusive, já fizemos no passado. Essa lacuna precisa ser ocupada, até porque a população necissita e nós temos esse firme propósito de levar esse anseio à população de Rio Novo do Sul.

Capixabão: Nós temos um vice- Governador médico, que é o Cesar Colnago, temos deputados médicos. Como o senhor vê a preocupação desses políticos em prol da população capixaba?

Dr.Emílio Mameri Neto: Os profissionais médicos que estão no Legislativo e no Executivo tem o máximo de boa vontade. O trabalho do Dr. Hércules na Assembléia é incontestável, ele é presidente da Comissão de Saúde, é uma pessoa respeitável, tem trabalho prestado. O vice- Governador Cesar Colnago, que também é médico, é uma pessoa preocupada, envolvida e atuante. Só que as resoluções dos problemas passam por outras esferas, que muitas vezes fogem da ação desses políticos. Como eu já disse o problema de financiamento da Saúde é nacional. Então, apesar da boa gestão local, se você não tem recursos você não consegue fazer tudo o que precisa ser feito. A gente percebe que mesmo esses profissionais da Saúde estando no Executivo e Legislativo eles vão até um determinado ponto, porque o grande problema é nacional que vem reduzindo ao longo dos anos o percentual de recursos para a Saúde de forma drástica. E, com os estados e municípios passando todos por grandes dificuldades, isso vem de encontro com os serviços prestados a população.

Capixabão: O senhor teria alguns projetos específicos para Rio Novo do Sul?

Dr. Emílio Mameri Neto: Temos sim. O município é pequeno, pobre e ficou um pouco afastado dos meios de decisão do próprio Governo do Estado. Nesta atual gestão estamos buscando estreitar essa relação política para que possamos desenvolver alguns projetos. Por exemplo, projetos na área de logística. Até porque daqui alguns anos Rio Novo do Sul talvez seja o único município que a BR 101 passará dentro. Com isso vai abrir um leque de oportunidades no ponto de vista de logística. Tem a expectitiva do Porto Central, em Presidente Kennedy, o porto em Itaipava. Enfim, Rio Novo está bem centralizado com todas as condições para dar sustentação a esses projetos macro. A ferrovia Litorânea que vai passar dentro do Município. Temos também um projeto grande, que é nacional, que é construção de uma subestação elétrica em Rio Novo do Sul, exatamente em nosso município as linhas se cruzam, que vai atender todo o sul do Estado. Também não estamos esquecendo dos setores mais tradicionais, como a agricultura e o setor de rochas ornamentais. Outra oportunidade real é o turismo de montanha, já que Rio Novo do Sul tem uma característica especial, que é o fato de você sair de 40 metros do nível do mar e, em 20 quilometros, você chega a 800 metros, já na divisa com Vargem Alta com Alfredo Chaves. Dessa forma Rio Novo tem uma extensa área de montanha, que nos permitem trabalhar o turismo rural, o eco-turismo com um clima e uma cultura diferenciados. São diversos projetos, mas primeiro temos que fazer bem o feijão com arroz, que é a Saúde, a Educação, Segurança e manter o Município sobre controle no ponto de vista fiscal. Dessa forma, vamos fazer bem o básico para depois partirmos para novos investimentos que vão fazer o município crescer ainda mais.

Capixabão: Dr. Emílio, o Espírito Santo hoje, apesar da crise política e econômica do País, está numa situação bastante confortável. Como o senhor avalia esta gestão do governador Paulo Hartung?

Dr. Emílio Mameri Neto: Eu acompanho o Paulo há muito tempo, desde a época da Universidade. Sou um pouco mais antigo que ele, quando o Paulo começou na política estudantil eu já estava saindo. Ele continuou na política, eu fui ser médico e professor universitário. Sempre admirei o trabalho do Paulo, que é um grande gestor. Existem críticas, mas a nível de gestão Paulo Hartung é muito bom. Antes que outros governantes, ele enxergou as dificuldades e fez o dever de casa. Manteve as contas em dia, apertou o cinto e muitas vezes foi criticado. Mas, ele se preparou e, com certeza ao fim do seu mandato será elevado a um patamar elevado novamente. Ele está andando o Estado inteiro, tem o que oferecer aos municípios e, quando melhorar a situação econômica do Brasil, Paulo Hartung terá sucesso. Então, apesar de todas as dificuldades, Paulo vem conseguindo fazer um mandato de qualidade e entregando a população capixaba algo que a maioria dos estados não consegue entregar. Dessa forma não podemos analisar a situação do Espírito Santo sem analisar o contexto nacional. Com a certeza de que o Espírito Santo está muitos passos a frente.




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