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Como é a fabricação de vinhos portugueses
04/07/2009

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Colunista explica como é a fabricação de vinhos portugueses e dá dicas de alguns para apreciação

Portugal e Brasil têm afinidade histórica. Apesar de todas as piadas contadas por ambos os lados, os brasileiros mantêm vários bons hábitos dos portugueses. O consumo de vinho no Brasil começou por influência dos portugueses e já fomos os maiores importadores de alguns de seus vinhos, como o Vinho do Porto Ramos Pinto, dois séculos atrás. No inicio do século XX, os italianos se instalaram no Rio Grande do Sul, plantando suas vinhas e incorporando novos hábitos no consumo de vinhos do país.

Mais recentemente, depois de observar uma queda nas importações dos vinhos portugueses no Brasil, nossos patrícios resolveram fincar novamente sua bandeira por aqui, nos apresentando muitas coisas boas. Para os portugueses, somos um mercado muito importante, seja por essa afinidade ou pela facilidade da língua em comum.

De uns dez anos para cá, Portugal investiu muito em eventos de apresentação de seus vinhos nas capitais brasileiras, aumentando consideravelmente o consumo por aqui e chegando ao terceiro lugar da lista de importações, atrás apenas de Chile e Argentina. Mas isso só pode acontecer porque Portugal não ficou para trás em suas técnicas e em seu estilo de produção. Modernizou suas vinícolas e, hoje, pode se orgulhar por fazer alguns dos melhores vinhos do mundo.

Anualmente, a Viniportugal promove dois grandes eventos no Brasil, apresentando vinhos de todas as regiões portuguesas, em torno de 500 rótulos. Muitas Comissões Regionais de produtores seguem o mesmo caminho, permitindo que os brasileiros conheçam as características de suas variadas regiões. O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) promove, anualmente, eventos em diversas cidades brasileiras e, posso falar sem errar, de lá saem os melhores vinhos portugueses. A região dos Vinhos Verdes investe em publicidade, mostrando a evolução de seus produtos e afastando de vez o mau conceito que tinham por aqui.

Hoje, a Comissão Regional de Vinhos Verdes possui uma seleção de brancos, espumantes e até roses capaz de seduzir os críticos mais radicais. Também a Fenadegas, uma associação de adegas cooperativas, vem ao Brasil anualmente atrás de parceiros comerciais promovendo degustações, como já o fizeram as regiões de Ribatejo e Estremadura, além do Alentejo, local de onde saem também bons vinhos portugueses, que teve na importadora Adega Alentejana o seu maior divulgador.

Os vinhos do novo mundo, de onde Portugal faz parte, apresentam algumas dificuldades para os brasileiros leigos entenderem, pois usam as castas nativas muito diferentes das cabernet e merlot que o brasileiro aprendeu a gostar. Para alguns, vinho europeu traz a ideia de que seja vinho caro e inacessível. Mas existem bons produtos de todos os preços e podemos garimpar belas opções a custos muito convidativos.

Recentemente, provei o Monte Das Ânforas, tinto, da região do Alentejo, que muito me impressionou pela delicadeza do paladar e pelo preço: R$ 34,00. O vinho é produzido com as uvas nativas de Portugal, como Aragonez, Trincadeira e Alfrocheiro. Um vinho delicado na boca, de personalidade Alentejana bem marcada, cor vermelha viva e profunda, encorpado e macio, com aromas e sabores de compota de frutas vermelhas (o que quer dizer que o aroma lembra a fruta cozida, não fresca) e notas de especiarias (como pimenta, temperos).

Outra dica da terrinha é o Serras do Azeitão, produzido na região Terras do Sado, mais próxima a Lisboa. O vinho passa por um leve estágio em carvalho francês o que lhe confere uma sensação de maciez na boca. É produzido, também, com uvas da região, como Aragonez (também conhecida como Tempranillo), Touriga Nacional (casta ícone de Portugal) e um pouco de duas importantes uvas francesas para aperfeiçoar o paladar e o equilíbrio, com 25% Syrah e 20% Merlot. O preço também é ótimo: R$ 31,00.

Ambos são produzidos pela importante vinícola Quinta da Bacalhoa, que mesmo tendo esse nome muito curioso, produz vinhos de grande destaque em Portugal. O próprio Quinta da Bacalhoa é também da região de Terras do Sado, produzido exclusivamente com castas francesas que se adaptaram muito bem ao país. Há, ainda, o Cabernet Sauvignon (90%) e o Merlot (10%). A Quinta está localizada nas encostas de Azeitão, viradas a Noroeste, com forte influência Atlântica, e utiliza uvas provenientes de videiras antigas, plantadas em 1972, dando mais maturidade e concentração aos vinhos. O preço é um pouco mais alto, mas tenha certeza de que vale a experiência: R$ 104,00.

Escolhi três da mesma empresa para mostrar a diversificação de estilos e preços que uma vinícola pode produzir. Na Quinta da Bacalhoa há diversos outros vinhos, mantendo em todos um padrão rígido de qualidade, seja nos típicos portugueses ou nos que lançam mão de uvas importadas para aperfeiçoar o que a natureza lhes ofereceu: boas terras e uvas únicas.

Por Denise Cavalcante

Fonte: Guia da Semana


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