O Brasil Precisa melhorar a tecnologia Flex
04/07/2009
O posicionamento rigoroso dos Estados Unidos quanto ao consumo e emissões dos carros influenciará os mercados emergentes, especialmente na adoção de combustíveis renováveis. Neste caso, o desafio brasileiro será aperfeiçoar a tecnologia flex, já que o consumo de álcool ainda é muito elevado nesse sistema.
“O Brasil por causa do etanol tem a vantagem do carro flex, mas terá de melhorar muito tecnologicamente. Do ponto de vista de emissão, o país está bem, mas em consumo está em desvantagem, porque o carro abastecido com álcool consome mais”, explica Paulo Cardamone, vice-presidente da empresa de consultoria CSM Worldwide.
Para Cardamone, a busca pela redução de consumo virá também da pressão dos clientes e obrigará as fábricas a trazer tecnologias que já existem em outros mercados. Segundo o vice-presidente da CSM Worldwide, esse movimento deverá acontecer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, entre 2015 e 2018.
Segundo o consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred Szwarc, a Unica tem conversado com as fábricas sobre o aperfeiçoamento do sistema bicombustível. Na opinião de Szwarc, a medida dos Estados Unidos não terá repercussão imediata, mas reforçará a nova legislação para combustíveis que será anunciada ainda este ano pela Agência Ambiental dos Estados Unidos, a exemplo do que foi adotado pelo estado da Califórnia. “Essas duas medidas combinadas poderão trazer impacto positivo sobre o etanol brasileiro (de cana-de-açúcar), que tem baixo nível de emissão em relação ao etanol do milho”, observa Szwarc.
Etanol é solução local
Apesar do interesse de fabricantes de veículos no uso de etanol, como é o caso da Ford, o álcool combustível é considerado uma solução energética restrita ao mercado brasileiro. “Só conseguimos os flex porque nos anos 80 tivemos carros a álcool, então diria que não foi nada planejado, o carro flex foi mais uma visão de marketing do que algo para resolver o problema ambiental”, avalia Cardamone.
Isso significa que o Brasil não se tornará grande exportador de etanol ou de tecnologia flex exportando baixos volumes. De acordo com Cardamone, a América do Sul vai começar a fazer misturas de 5% a 10% de álcool na gasolina. Acima de 25% de mistura, é preciso alterar os componentes do veículo, o que o torna ‘flex’, como é o caso de modelos E85 (com 85% de etanol e 15% de gasolina), já existentes nos Estados Unidos e na Europa. “Só a Colômbia adotará o E85, mas em 2012”, ressalta o consultor.