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Manguezais capixabas ameaçados por obras

14 de Agosto de 2010
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Manguezais capixabas ameaçados por obras
Um estudo encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indicou que um quinto dos manguezais foi destruído no Brasil desde 1980, e continuam a ser destruídos a uma taxa de 0,7% por ano por atividades como construção civil e criação de camarões. De acordo com especialistas, no Espírito Santo a situação não é tão diferente. Mesmo com avanços na área, a situação ainda é preocupante, sobretudo com a construção.

No Estado, o fator de maior degradação dos mangues é o fato de a maioria deles estarem em área urbanas. Em Vitória, a partir da industrialização, os aterros de grandes áreas de mangues, como nas regiões de Bento Ferreira, Praia do Suá e Praia do Canto, tem reflexos negativos até hoje. De acordo com o técnico ambiental aposentado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Iderê Sassi, a especulação imobiliária é o fator de maior relevância para a destruição dos manguezais.

"Fico satisfeito do ritmo de assoreamento não ser mais o mesmo, porém, em ritmo de formiguinha ainda existe essas ações, o que reforça a necessidade de uma vigilância e fiscalização ainda maior. Um exemplo é a reurbanização da região de São Pedro, que justificaram que não seriam feitos mais avanços, porém continua acontecendo, com depósito de lixos e construção de casas", explica o profissional.

O técnico diz ainda que um exemplo de descaso foram as obras de estruturas viárias na Avenida Fernando Ferrari. Ele afirma que houve um acordo em que a prefeitura da capital se comprometeu em recuperar três vezes mais a área destruída. Porém, segundo Sassi, quase quatro anos depois, nenhum centímetro foi recuperado.

"Era para ter tido fiscalização do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), com cobrança e multa. As autoridades não estão se preocupando como deveriam. Vejo essa questão como um tiro no próprio pé. No Golfo do México existe uma produção de U$ 40 milhões em produção de biomassa, no Brasil esses dados são ainda maiores. O processamento dos nutrientes dos manguezais produzem grande quantidade de biomassa. Por baixo, na Grande Vitória pode-se dizer que produzem R$ 87 milhões por hectare por ano, porém não é levado em consideração", declara.

Defini-se como recuperação de área, tornar uma área degradada em área biologicamente recuperada. Dentre as ações, desaterrar algumas áreas, recuperar inteiramente e tecnicamente com certificação. De acordo com Sassi não é um simples trabalho de jardinagem, com plantação de florzinhas, mas um processo caro que exige atenção, trabalho, e, acima de tudo, feito por gente especializada. O assunto será debatido nos dias 20 e 21 de setembro no 2º Seminário Manguezais Capixabas - "De olho no Futuro", em Vila Velha.


Sem mangue culinária capixaba não sobreviveria
Diferente do que muitos pensam, os mangues não servem apenas como criadouros de caranguejos. De acordo com a bióloga do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e Mestre em Ecologia, Daniela Nicioli, o ecossistema manguezal é importante para a vida humana.

"Além de ser no mangue que peixes, moluscos e crustáceos encontram as condições ideais para reprodução, ele desempenha importante papel de exportador de matéria orgânica. A vegetação de mangue serve para fixar as terras, impedindo assim a erosão e ao mesmo tempo estabilizando a costa", explica a bióloga.

A tradição pesqueira influencia profundamente a culinária capixaba. Entre os pratos típicos mais famosos citam-se a torta capixaba, preparada com frutos do mar, como siri, camarão, ostra e sururu. Diante disso, o técnico ambiental, Iderê Sassi é enfático ao dizer que sem mangue não existiria culinária capixaba. E reforça a importância de respeitar essa tradição, cuidando desse ecossistema economicamente brilhante e respeitando nossas tradições culturais.

Para Sassi, o mangue mais precioso do Estado é o de Barra Nova, em São Mateus, um dos maiores e mais preservados. "O mais importante é o fato de ele estar fora de áreas urbanas e ter grande extensão. O mangue cresce cerca de dez centímetros por ano, que equivale a 20 hectares. Se não houver coibição e destruição ele pode crescer ainda mais", declara.

Daniela Nicioli, também destaca alguns manguezais pela importância e forte degradação. "O Piraqueaçu, em Aracruz, é um exemplo de bom mangue, que avança metros do continente e tem grande atividade de piscicultura. Em Anchieta tem o Benevente que é de grande importância, mas sofre com os efeitos das empresas de petróleo e gás, assim como o de Conceição da Barra, que mostra grande valor econômico para região, mas tem prejuízos com os depósitos de lixo", lista a bióloga e mestre em Ecologia.

Caranguejos menores em tamanho e quantidade
Cerca de 900 pessoas no Estado dependem da cata do caranguejo para o sustento de suas famílias. De acordo com Iderê Sassi, no ano de 2003 a cata do caranguejo do ES gerou R$ 50 milhões. Os números diminuíram, mas segundo Sassi não são tão alarmantes. "Após a Doença do Caranguejo Letárgico (DCL), houve menos processamento das folhas nos mangues, o que diminuiu a produção do crustáceo. Hoje em dia a arrecadação é de cerca de R$30 milhões, embora os resultados tenham sido menores, ainda é considerada uma economia grande para um estado tão pequeno", fala.

O catador de caranguejo, que está no ramo há mais de dez anos, Benedito Carlos Pinto, o Noca, reclama da sujeira dos mangues e da falta do crustáceo. "Os mangues estão prejudicados com problemas de esgoto. Os caranguejos diminuíram de tamanho e estão cada vez mais escassos. Antes era possível pegar até dez dúzias por dia, atualmente pegamos cerca de 30 unidades por dia", desabafa o trabalhador que busca seu sustento no município de Serra.

Um projeto que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vai ajudar a repovoar o mangue de Vitória. A ideia é criar larvas da espécie caranguejo-uçá em viveiro e depois soltar os filhotes nos mangues. O Laboratório da Base Oceanográfica da Ufes, programou soltar nos mangues, ainda neste ano, cerca de 20 mil larvas do crustáceo.

Por Dalila Travaglia

Fonte: ES Hoje - Capixabão

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